Não perder a fé

                                                                                                                    Paiva Netto

paiva-netto_foto-oficialA onda de violência que atinge várias regiões no mundo, inclusive o Brasil, atemoriza cada vez mais as populações. O massacre que ocorreu na última sexta-feira, 14/12, em uma escola de Newtown, no Estado de Connecticut/EUA, deixou-nos consternados. Após matar a mãe em casa, um jovem de 20 anos invadiu o local e assassinou 26 pessoas. Entre elas, 20 crianças. Em seguida, suicidou-se. Fervorosamente, oramos a Deus, pedindo conforto espiritual às famílias das vítimas na superação de tamanho drama.

Buscam-se respostas que esclareçam por que chegamos a tal ponto de desatino. Se fizermos análise mais aprofundada das causas que levam a essa brutalidade, à fome e a tantos outros infortúnios, notaremos tratar-se principalmente da própria instabilidade emocional da criatura.

Pari passu com as políticas públicas de segurança, do acesso à educação de qualidade para todos e programas que trabalhem na erradicação da miséria, é imprescindível zelar pelas Almas. Cuida do Espírito, reforma o ser humano. E tudo se transformará para melhor.

Robbie Parker, pai de uma das vítimas, Emilie, menininha de 6 anos, no trágico episódio no colégio norte-americano, ao dirigir-se à mídia, corajosamente demonstrou o exemplo que nos deve nortear. Emocionadíssimo, encontrou forças para oferecer apoio a todas as famílias afetadas pelo massacre, incluída a do atirador: “Ao seguirmos em frente a partir do que aconteceu aqui, o que aconteceu com tanta gente, que isso não seja algo que nos defina, mas que nos inspire a ser melhores, que tenhamos mais compaixão e sejamos mais humildes”.

Apesar do momento atribulado pelo qual passamos, é preciso não perder a fé, como acima demonstrado, e batalhar pela vitória do Bem. Aos que, porventura, não consigam ainda compartilhar dessa crença, dedico reflexão de minha autoria, constante do livro “Cartilha de Reeducação Espiritual”: Pouco a pouco, a organização egoísta da sociedade foi abalando o acervo de tradições reunido por todos os que lutaram e sofreram na construção dos povos. Tudo isso vem sendo sacudido, e a muitos pode parecer que entramos em indesviável rota de colisão e que a Humanidade inteira se desfará definitivamente em destroços. Mas tal não se dará, por pior que as coisas se mostrem. O que irá colidir e destruir-se é a civilização da maldade. (…) E como escreveu Pedro Apóstolo, em sua Segunda Epístola, 3:13: “Esperamos novos céus e novas terras, nos quais habita a Justiça”.

ORAÇÃO
Convido os amigos leitores e leitoras para, juntos, entoarmos uma tocante prece de Francisco de Assis (1181-1226), patrono da Legião da Boa Vontade. Ele amava muito as criancinhas. Versão de Alziro Zarur (1914-1979):

“Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa Paz;/ Onde haja ódio, consenti que eu semeie Amor;/ Perdão, onde haja injúria;/ Fé, onde haja dúvida;/ Verdade, onde haja mentira;/ Esperança, onde haja desespero;/ Luz, onde haja treva;/ União, onde haja discórdia;/Alegria, onde haja tristeza.

“Ó Divino Mestre!/ Permiti que eu não procure/ Tanto ser consolado quanto consolar;/ Compreendido quanto compreender;/ Amado quanto amar./ Porque é dando que recebemos;/ Perdoando é que somos perdoados;/ E morrendo é que nascemos para a Vida Eterna”.

Em tempo: quanto ao “fim do mundo”, segundo o Calendário Maia, em 21 de dezembro corrente, podemos dormir em paz, porque o nosso esforçado planeta vai continuar. Aliás, quem pode acabar com ele somos nós mesmos (Isaías, 24:5 e 6).

______________________
*José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter). Filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central.

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